Homeopatia

A Homeopatia constitui-se em um método de tratamento alternativo que visa a combater enfermidades de maneira oposta à medicina tradicional, pois se baseia em princípios e concepções distintas sobre o que seja um tratamento adequado à saúde plena.

Em primeiro lugar, a homeopatia se alicerça no princípio da similitude, através do qual qualquer substância capaz de provocar determinados sintomas em seres humanos sadios e sensíveis, em doses adequadas, especialmente preparadas, é capaz de curar um enfermo que apresente quadro mórbido semelhante, com exceção das lesões irreversíveis[1].

O princípio da similitude, ou lei dos semelhantes, tem sua origem nos primórdios da medicina, com Hipócrates, que acreditava numa medicina natural cujo o trabalho dos médicos seria ajudar as forças naturais defensivas orgânicas reestabelecerem o organismo do enfermo. O famoso médico grego é autor do seguinte aforismo: “A doença é produzida pelos semelhantes e pelos semelhantes o paciente retorna à saúde”[2].

A medicina ocidental possui duas correntes terapêuticas fundamentadas nos princípios dos contrários e dos semelhantes. A medicina tradicional alopática é fundada no princípio dos contrários por empregar medicamentos producentes de estados opostos aos sintomas, para neutralizá-los, como é o caso dos anti-inflamatórios e antitérmicos. A homeopatia apoia-se no princípio dos semelhantes firmada na constatação fática de que as substâncias capazes de provocar determinados sintomas em um indivíduo sadio podem curar um doente que apresente sintomas semelhantes[3].

O pai fundador da homeopatia é Samuel Hahnemann (1755-1843), médico alemão da região da Saxônia. Em 1790, ao traduzir a Matéria Médica, do médico escocês William Cullen, Hahnemann ficou indignado com o fatodeste autor atribuir eficiência terapêutica à droga quinadevido ao seu efeito tônico sobre o estômago do paciente acometido de malária. Por conta disso, ele estabeleceu uma série de pesquisas ao tomar como base fundamental a ação farmacológica das drogas sobre o homem sadio, para depois aplicá-las nos indivíduos doentes, segundo o princípio da similitude[4].

Em 1810, Hahnemann publicou a primeira edição de seu livro básico Organon e a arte de curar, no qual se encontra a doutrina homeopática e seus fundamentos. O criador da homeopatia conseguiu encontrar uma solução para a maioria das doenças tratadas por ele, com exceção das doenças crônicas, que reapareciam frequentemente com novos sintomas. Em virtude disso, pesquisou de forma exaustiva os casos crônicos reincidentes até encontrar um fator desencadeador desses processos, denominado por ele de “miasma”. Foi Hahnemann ainda a cunhar o termo homeopatia, oriunda do grego homonios, “semelhante”, e pathos, “sofrimento”[5].

A homeopatia pode ser conceituada como sendo uma especialidade médica e farmacêutica que consiste em ministrar ao doente doses mínimas do medicamento, de acordo com a lei dos semelhantes, para evitar a agravação dos sintomas e estimular a reação orgânica na direção da cura. Quatro são os seus princípios fundamentais, a saber: a lei dos semelhantes, a experimentação no homem sadio, as doses mínimas e o remédio único[6].

A aplicação da lei dos semelhantes, na prática homeopática, funciona pela ministração de um medicamento que provoque os mesmos sintomas que a enfermidade está provocando no indivíduo. Com isso, procura-se fazer com que o organismo reaja em face desta enfermidade. Ao ministrar a droga que provoca sintomas semelhantes ao que o paciente está sentindo, observa-se, no primeiro momento, aumento transitório dos sintomas. Porém, com o fim do efeito farmacológico, após a droga ter sido eliminada, nota-se um efeito biológico de sinal contrário, traduzido pela reação orgânica à droga. Como a droga e a doença provocam sintomas semelhantes, haverá um aumento sincrônico da reação orgânica, que levará à melhora ou cura do paciente[7].

Para evitar a piora inicial do paciente e estimular ainda mais a reação orgânica, os farmacêuticos lançam mão do processo de dinamização, que nada mais é do que o desenvolvimento do poder medicamentoso por meio do processo de diluições acompanhadas de fortes agitações (sucussões) e/ou triturações sucessivas de insumos ativos em insumos inertes adequados[8].

Se for administrada uma substância em dose capaz de perturbar a homeostase orgânica, o organismo apresentará um grupo de sintomas relacionados à substância que está sendo testada. Esses sintomas são chamados de patogenéticos. É chamado de simmillimum o “remédio” que abrange a totalidade dos sintomas de um homem doente, ou seja, aquele medicamento cuja patogenesia melhor coincidir com os sintomas apresentados pelo paciente[9].

Desta forma, a indicação de um medicamento homeopático depende das características pessoais e reacionais do paciente. O clínico homeopata deverá reconhecer a patogenesia que melhor se adapta às manifestações físicas, emocionais e mentais presentes no doente para, em seguida, prescrever o simmillimum. O homeopata deverá fazer um trabalho cuidadoso a respeito das características de cada indivíduo ao proceder ao levantamento de todos os sintomas. O interrogatório homeopático é conhecido como semiologia, normalmente realizado por meio de fichas clínicas. Todavia, jamais poderá tornar-se uma coleta fria dos sintomas. É importante que cada sensação seja qualificada quanto à sua natureza, intensidade, época e hora de surgimento etc[10].

Experimentação no homem sadio, também chamada de experimentação patogenética, homeopática ou pura, é o procedimento de testar substâncias medicinais em indivíduos sadios para elucidar os sintomas que irão refletir a sua ação[11].

Pelo princípio da dose mínima, preconiza-se a utilização de doses infinitesimais e potencializadas por fortes agitações na manipulação dos medicamentos homeopáticos, com o intuito de promover curas mais rápidas e suaves[12].

O princípio do remédio único tem a ver com a individualização do simmillimumpara cada situação. Por isso, o clínico homeopata deverá individualizar o quadro sintomático do indivíduo da maneira mais clara o possível para identificar o remédio para o caso. Se for utilizado em um mesmo paciente dois ou mais remédios, estes mobilizarão conjuntamente os mecanismos de defesa do organismo, em uma competição. Apenas um medicamento deve cobrir a totalidade dos sintomas apresentados pelo doente[13].

O modelo conceitual no qual a terapêutica homeopática se apoia é de origem vitalista. O vitalismo é uma doutrina filosófica segundo a qual os seres vivos possuem uma força particular que os mantém atuantes, o princípio ou força vital, distinta das propriedades físico-químicas do corpo[14].

Hahnemann interpreta a força vital como a mantenedora do equilíbrio orgânico. As doenças então não são mais do que manifestações deletérias da força vital modificada. Conclui-se ser a doença originalmente uma condição alterada apenas nas sensibilidades e funções vitais, independentemente de toda consideração química ou mecânica, ou seja, a origem primária das doenças está na perturbação da força vital. Os microrganismos são apenas fatores necessários, mas não suficientes para produzir doenças[15].

A homeopatia define saúde como um estado de equilíbrio dinâmico que abrange as realidades física e psicomental dos indivíduos em suas interações com o ambiente natural e social. A doença reflete, mediante os sintomas, o esforço da força vital na tentativa de restabelecer o equilíbrio. O ser humano apresenta três níveis dinâmicos identificáveis: o físico, o emocional e o mental. Sobre eles age a força vital, mantendo-os equilibrados. O homem pensa por meio do seu nível mental, sente por seu nível emocional, age pelo seu nível físico e encontra-se coeso em seus três níveis pela ação integradora da força vital[16].

Existe uma hierarquia entre esses três níveis dinâmicos. O nível mental é o mais importante, seguido pelo nível emocional e pelo físico. Cada nível também apresenta uma hierarquia. No nível físico, os órgãos respiratórios são mais importantes do que a pele; no nível emocional, uma irritabilidade é menos importante que uma depressão; no nível mental, a falta de concentração ou uma letargia são muito menos importantes que um delírio ou uma paranoia. Quando um órgão nobre é atingido por uma doença, a força vital transfere o problema para um nível mais periférico para aliviar a agressão[17].

O processo de cura homeopática segue-se da seguinte forma, segundo o estudo do homeopata Constantine Hering: os sintomas desaparecem na ordem inversa do seu aparecimento; a cura progride do alto do corpo para baixo; o corpo procura exteriorizar os sintomas, mantendo-os em suas partes mais exteriores (mucosas e pele); a cura progride dos órgãos mais nobres para os menos nobres; antigos sintomas podem reaparecer, o que requer novo tratamento[18].

Miasma, ou diátese crônica, representa a predisposição, congênita ou adquirida, que os tecidos têm de reagir de modo especial a certos estímulos, como expressão da suscetibilidade individual, ou seja, miasma é o estado crônico patológico que evolui dentro de dados padrões reativos, caracterizado pela disposição de determinadas doenças.

Hahnemann identificou três miasmas responsáveis pela eclosão de doenças crônicas: sífilis, sicose e psora[19].

PSORA. Instala-se quando o organismo esgota suas possibilidades defensivas, procurando alívio por meio de fenômenos episódicos e alternantes de descargas de toxinas. O estado reacional da psora refere-se a alergias e manifestações cutâneas.

SICOSE. Manifesta-se quando o organismo altera a quantidade ou a qualidade das eliminações ou bloqueia as toxinas em órgãos ou regiões circunscritas, originando neoformações. O estado reacional da sicose relaciona-se com a excrescência verrucosas (verrugas, condilomas etc).

SÍFILIS. Ocorre no momento em que o organismo tenta livrar-se das toxinas ou adaptar-se ao estresse persistente, sacrificando os próprios tecidos. O estado reacional da sífilis está relacionado com a tendência à destruição dos tecidos (úlceras, fístulas, furúnculos).

A partir da absorção do remédio homeopático, sucedem-se duas fases distintas de sintomas, os efeitos primário e secundário. O efeito primário é imediatamente sentido, sendo a consequência direta da droga no organismo, capaz de causar os chamados sintomas primários (patogenéticos), a ocasionar um agravamento inicial na doença, mas que desencadeia o efeito secundário, ou seja, a reação homeostática do organismo, opostos aos sintomas primários, para neutralizá-los e restabelecer o equilíbrio do organismo[20].

A cura pela homeopatia acontece no efeito secundário do simmillimum, tendendo a provocar no organismo uma reação para retomar o seu equilíbrio interno. Esse fenômeno ocorre em razão da lei dos semelhantes, promovendo-se a reabilitação por aquela substância capaz de provocar os mesmos sintomas da doença originária.

A homeopatia já foi largamente pesquisada e estudada nos últimos duzentos anos, encontrando aplicação em larga escala no Brasil e no mundo, mas certamente o seu espaço para evolução é ainda gigantesco, tendo em vista que as suas proposições têm um eco significativo dentro da comunidade científica, angariando mais cientistas e médicos que a encaram como um método válido e eficaz para a cura de doenças de forma não agressiva ao organismo.

REFERÊNCIAS

Fontes, Onley Leite. Farmácia Homeopática.

Autor: Euclides de Almeida Silva – Diretor do Instituto Namaskar – Parapsicologia Clínica Integrativa e Constelação Familiar Sistêmica.

Revisor: Euclides de Almeida Silva Filho.

[1] Fontes, Onley Leite. Farmácia Homeopática, p.12.

[2]Fontes, Onley Leite. Farmácia Homeopática, p.5.

[3]Fontes, Onley Leite. Farmácia Homeopática, p.5.

[4]Fontes, Onley Leite. Farmácia Homeopática, p.9.

[5]Fontes, Onley Leite. Farmácia Homeopática, p.10.

[6]Fontes, Onley Leite. Farmácia Homeopática, p. 11.

[7]Fontes, Onley Leite. Farmácia Homeopática, p.13.

[8]Fontes, Onley Leite. Farmácia Homeopática, p.22.

[9]Fontes, Onley Leite. Farmácia Homeopática, p.13.

[10]Fontes, Onley Leite. Farmácia Homeopática, p.35.

[11]Fontes, Onley Leite. Farmácia Homeopática, p.15.

[12]Fontes, Onley Leite. Farmácia Homeopática, p.17.

[13]Fontes, Onley Leite. Farmácia Homeopática, p.5.

[14]Fontes, Onley Leite. Farmácia Homeopática, p.27.

[15]Fontes, Onley Leite. Farmácia Homeopática, p.27.

[16]Fontes, Onley Leite. Farmácia Homeopática, p.29.

[17]Fontes, Onley Leite. Farmácia Homeopática, p.30.

[18]Fontes, Onley Leite. Farmácia Homeopática, p.35.

[19]Fontes, Onley Leite. Farmácia Homeopática, p.38.

[20]Fontes, Onley Leite. Farmácia Homeopática, p.42.

Autor: namaskar

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