Terapia pelo som

A terapia pelo som entra no rol das chamadas terapias alternativas, métodos de tratamento que visam propiciar melhor qualidade de vida ao paciente ao tempo em que promovem melhoras efetivas no estado físico e emocional da pessoa.

A forma terapêutica pode ocorrer pelo som sem conteúdo musical ou pela música propriamente dita. Música é formada pela combinação dos sons e silêncios que são formados ao longo do tempo, de maneira artística. Os elementos básicos da sua estrutura são compostos ritmo, melodia, harmonia e timbre[1].

Estima-se que a MÚSICA é aplicada na cura de doenças há trinta mil anos, quando a doença era um mistério, obra de espíritos malignos a serem expulsos do corpo do enfermo. Na Grécia, Pitágoras usava dessa ferramenta para ajudar no alívio de preocupações, medos e raiva. Por volta de 324 A.C., Alexandre, o Grande, se valeu do som da lira para restaurar a sanidade mental; durante o reinado de Elizabeth I, o físico de Thomas Campian utilizava-se de composições líricas e vocais para curar a depressão; Farinelli, cantor de ópera do século XVII, curou o rei espanhol Filipe V de uma doença crônica repetindo a sua área favorita[2].

O SOM origina-se do movimento vibratório de partículas e objetos. Mais especificamente, de um impulso vibracional, produzido toda vez que os objetos se movem para lá e para cá, ou oscilam, como o balanço de um pêndulo. Basicamente, ele vem de objetos tão pequenos como átomos e moléculas ou tão grandes como um planeta[3].

É um tipo de energia cinética, que pode ser caótica ou desordenada, fraca ou intensa. Para produzir o som, um objeto deve vibrar, ou movimentar-se de lá para cá. Cada vaivém completado forma um ciclo. O número de ciclos de vaivém, em um segundo, chama-se frequência. As frequências sonoras são fatores primordiais na determinação do seu uso em terapia, sendo medidas em unidades – Hertz –, abreviado em Hz. Um Hertz corresponde a uma vibração ou ciclo por segundo. Em uma frequência baixa, os nossos ouvidos detectam o som como pulsação separada, modificando-se o quadro a partir de uma frequência de 20Hz[4].

O volume do som é outro fator significativo na terapia pelo som. A medição aqui ocorre em decibéis, ouDb. A maioria das pessoas não conseguem detectar som abaixo de 20 Db. O discurso falado ocorre ao volume médio de 60 Db, enquanto que orquestras e shows de rock variam entre 60 a 90 Db. O limiar da dor causada pelo som ocorre a 120 Db, e seres vivos podem morrer quando expostos a mais de 150 Db. A frequência de um som está diretamente ligada ao grave, médio e agudo, já o volume está ligado à intensidade do som[5].

A VOZ revela muito sobre o bem-estar físico, emocional e mental de um indivíduo. Ao ouvir a voz do outro e entrar em contato com a sua própria, você saberá muito sobre aspectos concernentes à saúde. Geralmente, o aconselhamento de uma pessoa tem sido descrito como a arte de ouvir com amor. O conselheiro ouve atentamente a voz de um indivíduo, percebe todas as suas nuances e tonalidades, suas emissões não verbais, o contexto verbal no qual é emitido, sua linguagem corporal e postura, além de nuanças perceptivas menos explicáveis como intuição e instinto. Chega-se assim a auxiliar a identificação e diagnóstico de problemas, o primeiro passo para a cura[6].

A percepção musical se inicia com a entrada do som nos ouvidos, se espalhando para várias áreas do cérebro e do corpo através das reações emocionais e fisiológicas. Seu poder de influência vai diretamente ao tálamo, não passando em primeiro lugar pela análise do pensamento racional. De forma consciente ou não, a música tem o poder de tocar no nosso corpo, mente e alma[7].

Terapeutas e psicólogos desde há muito tem se valido da terapia da natureza do som no trato das emoções e no espírito de seus pacientes. Por exemplo, é usado o som do tinido musical da água corrente, seja de um pequeno riacho, fonte ou queda d´água, para tratar da agitação, estresse e emoções reprimidas. O som dos pássaros pode se mostrar bem relaxante, ao passo que o som do trovão parece frustrante e atormentador. O conteúdo desta terapia é moldável por paciente, mas tem uso recorrente nas mais diversas atividades terapêuticas[8].

A MÚSICA ORIENTAL tem como característica o seu tempo cíclico, ou seja, sem início, meio ou fim, fazendo uso de um grupo seleto de sons e de uma única nota durante toda a melodia. Essa escola musical objetiva vincular o homem à natureza e ao Cosmos através do som, refletindo a essência teosófica desta civilização[9].

De acordo com a mitologia indiana, a música foi criada por Brahma, Shiva aprendeu-a de Brahma e a ensinou à Saravasti, que, por sua vez, a transmitiu aos arcanjos do som. Não há estilo musical mais transcendental que a Música Clássica Indiana. Ela opera em um nível vibracional altíssimo e visa o aprimoramento da mente, pois a música é o melhor estímulo à concentração[10].

Os RAGASsão um tipo de composição clássica da Índia. Ragas (do sânscrito Ranja e significa cor), não podem ser escritos, são tocados de improviso, chamados de música da alma, e o intérprete toca de olhos cerrados, em estado de concentração profunda, a partitura de sua imaginação. Eles são passados de mestre para discípulo, em uma tradição muito forte[11].

As principais características dos ragassão, em síntese: consiste num número fixo e imutável de notas, agrupadas numa escala ascendente e outra descendente, que podem coincidir; cada raga tem um coloração específica; cada raga tem um cenário mítico; o número de notas varia, podendo ter no mínimo cinco e no máximo sete; existem ragas principais que dão origem a outros; relacionam-se com cores, períodos do dia, estações do ano e elementos da natureza e ao corpo humano; são poderosos indutores de ondas alfa[12].

Para a prática de meditação, também são utilizados os sons para auxiliar no processo, que são os mantras. A meta primordial da música meditativa é leva-lo à realidade além dela; o silêncio de onde ela se levanta e para o qual retorna. Pronunciar ou cantar os mantras é um método antigo e provado para alcançar essa libertação da consciência[13].

MANTRA é uma expressão vocal sagrada, um som minucioso ou dotado de poder psicoespiritual, dá poder ou recebe poder da mente. O vocábulo mantra não tem correspondente em português, sendo que sua raiz man (pensar – estar atento) e o sufixo tra (de trana, ato de salvar), significa, numa explicação esotérica, aquilo que salva a mente de si mesma, que conduz à salvação através da concentração da mente[14].

Os propósitos dos mantras são os mais variados, que incluem desde a adoração de Deus até a obtenção de poderes paranormais, afastamento dos maus espíritos, preparação de águas curativas, purificação do corpo humano e cura de doenças[15].

Na Índia, a voz é considerada a arte primeira e o canto é considerado o caminho mais rápido e seguro para a realização espiritual. Ademais, os mantras são usados pela medicina ayurvédica, que conhece os acordes sonoros que produzem efeitos terapêuticos em cada órgão do corpo humano[16].

O CÂNTICO tem crescido em popularidade nos dias atuais como uma atividade tranquilizante, que cria a oportunidade da experiência natural espiritual e da unidade com o cosmos. Como formas de expressão do cântico, tem-se as canções sagradas, os mantras, os salmos, os hinos e os cânticos em tom secundário associados à meditação[17].

O Vedas, o mais antigo livro sagrado hindu, procura resumir os quatro estágios do cântico, a saber: primeiramente, há o silêncio e a informalidade; o mundo criativo precipita o cosmos e a interação de todas as energias; a consciência individual ouve a letra, reconhece-a e a restitui às partes separadas do todo por meio do canto da música, em uma canção de oferenda; você alcança a realização por meio da reunificação[18].

Os terapeutas não raro avaliam a condição de seus pacientes pelo estado de sua VOZ. Por outro lado, pelo exercício da voz através dos cantos, pode-se promover significativas alterações no estado físico e mental da pessoa. A título de exemplo, podem-se citar os exercícios do canto para o tempo, para aliviar a dor, a percussão de instrumentos musicais que podem promover um efeito ainda melhor se acompanhado do canto etc[19].

O potencial de cura e melhoria da qualidade de vida que pode ser proporcionado pelo emprego do som e da música com fins terapêuticos é imenso, fato esse reconhecido pelas mais diversas culturas e religiões. Pelo amplo leque de métodos de terapias pelo som, torna-se muito fácil adaptá-los a todos os objetivos e gostos dos pacientes, desde aqueles que buscam mais espiritualidade àqueles que desejam tratar de alguma enfermidade física ou simplesmente termais serenidade para o cotidiano.

REFERÊNCIAS

Dewhurst-Maddock, Olivea. A cura pelo som: Técnica de Auto-ajuda através da música e da própria voz.

Honório, Maíra Goulart et al. Música, sons, cura e transpessoalidade.

Autor: Euclides de Almeida Silva – Diretor do Instituto Namaskar – Parapsicologia Clínica Integrativa e Constelação Familiar Sistêmica.

Revisor: Euclides de Almeida Silva Filho.

[1] Honório, Maíra Goulart et al. Música, sons, cura e transpessoalidade, p. 06.

[2]Honório, Maíra Goulart et al. Música, sons, cura e transpessoalidade, p. 15.

[3]Dewhurst-Maddock, Olivea. A cura pelo som: Técnica de Auto-ajuda através da música e da própria voz, p. 21.

[4]Dewhurst-Maddock, Olivea. A cura pelo som: Técnica de Auto-ajuda através da música e da própria voz, p. 24-25.

[5]Dewhurst-Maddock, Olivea. A cura pelo som: Técnica de Auto-ajuda através da música e da própria voz, p. 28.

[6]Dewhurst-Maddock, Olivea. A cura pelo som: Técnica de Auto-ajuda através da música e da própria voz, p. 122.

[7]Honório, Maíra Goulart et al. Música, sons, cura e transpessoalidade, p. 15.

[8]Dewhurst-Maddock, Olivea. A cura pelo som: Técnica de Auto-ajuda através da música e da própria voz, p. 67.

[9]Dewhurst-Maddock, Olivea. A cura pelo som: Técnica de Auto-ajuda através da música e da própria voz, p. 10.

[10]Honório, Maíra Goulart et al. Música, sons, cura e transpessoalidade, p. 11.

[11]Honório, Maíra Goulart et al. Música, sons, cura e transpessoalidade, p. 12.

[12]Honório, Maíra Goulart et al. Música, sons, cura e transpessoalidade, p. 12.

[13]Dewhurst-Maddock, Olivea. A cura pelo som: Técnica de Auto-ajuda através da música e da própria voz, p. 99.

[14]Honório, Maíra Goulart et al. Música, sons, cura e transpessoalidade, p. 26.

[15]Honório, Maíra Goulart et al. Música, sons, cura e transpessoalidade, p. 26.

[16]Honório, Maíra Goulart et al. Música, sons, cura e transpessoalidade, p. 26.

[17]Dewhurst-Maddock, Olivea. A cura pelo som: Técnica de Auto-ajuda através da música e da própria voz, p. 105.

[18]Dewhurst-Maddock, Olivea. A cura pelo som: Técnica de Auto-ajuda através da música e da própria voz, p. 105.

[19]Dewhurst-Maddock, Olivea. A cura pelo som: Técnica de Auto-ajuda através da música e da própria voz, p. 122.

Autor: namaskar

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